Uma semana depois, chego do trabalho e me deparo com um pacote em cima da cama. Caligrafia conhecida, saudade. Abro o embrulho e lá estava aa canga, e meu biquini também (já devidamente engavetado devido à presença indesejada dos meus lombinhos laterais!). Roupa com cheiro de casa da gente, sabe como é?! Muito bom. Mas calma aí! Chacoalho o envelope, reviro a canga e... nenhum bilhetinho?!?!?! Poxa vida... Ou o coração dessa japonesa congelou ou, agora que mora com o namorado, anda ocupada demais até pra rabiscar umas palavras pra mim.
Na semana seguinte, saindo de casa, o Edson checa a cestinha de correspondência, vira pra mim e, com um envelope na mão, diz:
- Cris, isso aqui é pra você.
- Opa! Eu conheço essa letra! É da Ana. EBA!!!
Olho o verso do envelope pra confirmar o remetente e a surpresa: não era de uma japonesa. Mas, sim, de duas! Ana e Mari. EBAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Pausa!
Num dos meus primeiros posts sobre Londres, falei que daria meu endereço pra quem quisesse mandar feijão, carta ou paçoca. O Luiz comentou que até entendia minha vontade de receber tais guloseimas, mas carta era muito retrô para uma moça tão digital. Você me conhece, sabe que não passo muito tempo desconectada do mundinho virtual. Sou enlouquecida pela Internet e o seu superpoder de me colocar em contato com as pessoas. Viva email, MSN, Skype! Viva!
Acontece que nada é tão surpreendente quanto receber carta. O ritual de abrir o envelope tomando cuidado pra não rasgar nada do que há dentro, saber que aquele pedacinho de papel estava na mão de outro alguém antes de vir ao seu encontro e aqueles primeiros segundos em que os olhos devoram as palavras, como se fossem fugir. É tudo tão mágico!
Dando o play de novo...
Eu estava a caminho do trabalho, lembra?! Peguei o ônibus que me leva até a estação de metrô – ou você achou que só um bus bastava pra ir de New Cross Gate até Glocester Road? – e fui pro andar de cima descobrir o que havia dentro do envelope das meninas. Estava cheio de carinho, risadas, amor, lembranças, algumas lágrimas de saudade e vontade de apertar minhas japas. Tudo em forma de carta e um livrinho muito especial, feito por elas só pra mim, contando nossa história juntas, desde quando éramos toquinhos de gente, passando pela fase "As 3 do 33" de quando morávamos juntas, relembrando nossas histórias, viagens e trapalhadas, até chegar agora. Eu aqui e elas, aí. É ou não é pra ficar se achando?!?! : )
Ana e Mari, muitíssimo obrigada! AMEI! Vocês vão ser pra sempre parte de mim. Aqui, aí, em qualquer lugar.
Agora, eu proponho um desafio: quem será o próximo a me deixar com cara de boba feliz com um envelope na mão de novo?!?! Apertando a tecla SAP: Eu sou bem cara de pau, tô com saudade e quero repeteco! O endereço (para visitas também!) é esse aqui embaixo.
Flat D
Erlanger House
296 Queens Road
London – England – UK
SE14 5JN
Tô esperando! (Mamy, não me decepciona, hein?! Pelo menos você tem que me privar do vexame de não receber mais nada!) Não esqueça de colocar no envelope se prefere que a retribuição seja física ou virtual, ok? ; )
Em tempo, emails continuam sempre muito bem-vindos!

O passado no presente...




